Duas da manhã, domingo

Julho 7, 2008 por Arthur

Ele deixou o hospital, o nariz quebrado, a boca inchada além da possibilidade de fala, e as costas doendo pelas 3 quedas no asfalto que ele tinha sofrido. Desde quando tinha resolvido bancar o cavaleiro andante e defender a honra de damas indefesas? Não era, claro, uma sensação ruim, mas uma situação estúpida, por assim dizer. Ele nem se manteve acordado por tempo o suficiente para ouvir ela dizer obrigado, se é que disse. A possibilidade brincou um pouco em sua cabeça, até que esta passou a doer tanto que ele esqueceu como pensar.

Saiu no frio, cobrindo a nuca com a gola do casaco, que na frente estava dura de tanto sangue seco do ferimento. Ele devia ter passado umas boas 5 horas no hospital.

Acendeu um cigarro e não conseguiu fumar. Os lábios não respondiam de tão cortados e deformados.

O ar frio fazia bem e resolveu andar até sua casa.

Passou pelo mesmo bar. Lá estava ela, abraçada no homem errado, sorrindo e fumando o cigarro mais fedido que ele já tinha experimentado na face da terra.

Vinte metros antes de vê-la já tinha mudado de lado da rua.

“Cavaleiro andante é a puta que me pariu.”

Warren Ellis: escrever

Julho 2, 2008 por Arthur

“Writer’s block? I’ve heard of this? This is when a writer cannot write? Then that person isn’t a writer anymore. The job is getting up in the morning and fucking writing. If you get up in the morning and you cannot write, you’re something else, aren’t you?”

Touché, já que não escrevo aqui faz um tempo considerável, essa frase pelo menos me dá um chute no cérebro pra ver se ele ainda existe.

Boa entrevista/relato em:

http://www.newsarama.com/comics/080627-WWCEllis.html

E um termo inventado pelo próprio que eu descobri existir literalmente num filme antigo do godzilla:

Tom Waits (não um texto sobre Tom Waits, mais uma nota mesmo)

Maio 24, 2008 por Arthur

O CD da Scarlett Johansson cantando Tom Waits saiu, e salvo alguns arranjos bons, a voz dela é uma merda e ela ouviu muito Jesus and Mary Chain. E Enya.

Uma entrevista do Tom Waits com o Tom Waits está disponível para sua apreciação na Interweb. É do caralho e elucidante, não em relação a ele, mas aos grandes segredos do universo.

E dentro do assunto covers ruins, Downtown Train é uma das minhas músicas preferidas, com um péssimo cover do Rod Stewart, mais famoso que a versão original. Escolha com sabedoria.

O Post Mais Nerd Até Agora

Maio 19, 2008 por Arthur

Então, oi.

Eu fiquei quase um mês sem escrever porque bem, eu tenho preguiça e outras coisas foram mais relevantes nesse meio tempo.

Principalmente, como o Raul percebeu, a porra do meu video-game novo.

O PS3 é um belo exemplar do design limpo e elegante que domina a presente geração em termos de “video-games”. Uma máquina aerodinâmica e esguia, que por baixo de seu capô esconde não menos do que uma das maiores potências do mundo dos hardwares, com um processador Cell e blá-bá-blá.

Bela merda. O problema é quando inventam um jogo legal pra isso. Bem, inventaram GTA IV (o famoso “murder simulator” que a Fox News tanto fala nos EUA) e a razão pra eu comprar um videogame novo. E por isso, eu estive fora de mim durante meu tempo livre recente.

Estive vivendo a pseudo-saga de um imigrante dos balcãs que não sabe fazer nada além de matar e – fugindo disso – vai para Liberty City, e enfim, tem que fazer a única coisa que sabe de fato fazer para viver. Como eu disse, matar.

E roubar. E derrubar helicópteros com lança mísseis. E dirigir bem rápido com carros esporte. Bêbado é mais legal, aliás.

Depois de 40 horas (umas duas semanas) acabei a coisa toda. E devo dizer que, não só um dos jogos mais bonitos já feitos (ainda vou gastar mais umas 15 explorando e simplesmente admirando os cenários e a interação que você tem com eles), é também um dos melhores roteiros já escritos para os games. Claro, todos os jogos da Lucasarts, que praticamente inventaram história em games ainda serão um empecilho, ou melhor um parâmetro, para se escrever bons diálogos e história num jogo.

Mas GTA IV consegue ainda assim ser um novo marco. Os personagens são cativantes pra caralho e realmente verdadeiros (com a licença de que vivem num universo caricato, como sempre foi o dos jogos do GTA).

Eu joguei todos, é o melhor. E eu exagero pra caralho – o jogo tem muita coisa irritante – mas finalmente dá pra olhar pra um video-game mainstream e dizer: puta-merda, isso é uma obra de arte.

Em termos de humor, de qualidade de diálogos e crítica social, de ambientação, personagens, clima, dá pra ficar com medo de fazer cinema. Quer dizer, essa merda vale mais dinheiro, dura mais tempo e ainda dá a sensação de vitória pro espectador/jogador a cada missão realizada. E é bem-feita demais.

Fora que eu não simpatizo com nenhum herói de ação recente. Já Niko Belllic dá um cacete em qualquer Will Smith, Bruce Willis ou Matt Damon.

Obviamente.  Eu não estou assistindo a um filme. Como Niko Bellic, eu faço a porra do filme como eu bem entender.

Enfim, eu avisei que ia ser nerd.

E foi mesmo, caralho, como foi.

Ok, vamos esclarecer uma coisa.

Abril 23, 2008 por Arthur

Existem dois tipos de prazeres que realmente movem o ser humano.

O prazer sensorial e o cerebral (eu odeio essa palavra).

O primeiro deles vai pela sua boca, nariz, seus olhos, seus dedos, ouvidos ou seu pau/vagina.

O outro vai da felicidade de saber que você criou algo legal e novo e que funciona, e esse que realmente mantém você funcionando enquanto você não caga, come, ouve, sente cheiros, encosta, trepa ou assiste ao que os outros fizeram de legal.

Acabei de ter um desse segundo, após 4 dias de trabalho duro e de ver o negócio quase terminado e bem feito. E acreditem, estou todo molhado.

Molhado de vitória!

Isso pode soar meio horrível, mas tentem, existe uma moral

Abril 12, 2008 por Arthur

John Wayne Gacy

Okay, então, quando você olha uma foto no Google, certo? Essa foto tem alguém olhando para a câmera e sorrindo, porque é isso que as pessoas fazem ao olhar pra câmera, elas sorriem, elas parecem felizes, enfim, elas tentam tirar o máximo do  momento câmera+eu+impressionar as pessoas depois no blog/flog/vlog/orkut/myspace/facebook=alguma coisa válida.

MAS.

Você, ao tirar uma foto dessas, desconsidera o subtexto disso. Pense bem, algumas pessoas olham pra você, lindo(a), leve e feliz na foto e pensam: “uau, esta bela pessoa sorri para mim.” PARA MIM.

“Este momento é entre eu e você na tela do meu computador, você sorri e é feliz porque você vê através desta tela e vê a mim. VOCÊ ME AMA.

“Pesquisando no google saberei seu endereço, sua preferência culinária e possivelmente a melhor hora do dia para esquartejá-l(o)a. Porque você estava sorrindo pra mim numa foto. E eu te amo, e você me ama , mas eu tenho que te matar.”

OBA!

No meu próximo post, a lista das pessoas que eu acho que me amam, porque sorriram pra mim na internet. Atualmente estou nos 6 digitos, em alguns dias, me dêem tempo, estarei nos 10. Mandarei emails para todas e planejo de alguma maneira, matá-las ou sei lá, quem sabe só importunar via orkut.

Pense bem, hoje em dia você não está mais feliz para um álbum de fotografias. Você está feliz para a INTERNET.

HAR-HAR-HAR

Jonah Stone

Abril 3, 2008 por Arthur

There were two men coming down the road, when he suddenly realised he was being prosecuted. He put off the cigarette in the windowsill and sat peacefully, blankly, and serenely, upon the chair next to it.

He realized, looking at the window, that his cigarettes were there, and that he didnt’t want to move, even though he wanted a cigarette as bad as he wanted to break free of that situation.

The two men knocked on the door. “Come in” he said, and they did, with heavy boots and authority as heavy. They measured him, hair-to-toe. They were trained men, they could draw quick, and act as quickly in case the gun was not in the right range for a kill.

They had killed many men, and before the night was over, the three of them knew there was to be another killing.

-Are you Jonah Stone?

-I am, he said, thinking how many times that name had got him close to death.

Nevertheless, he coudn’t tell a lie. He just couldn’t .

-Telling the truth was always troublesome. – He said.

-The truth is an easy thing, if you are ready to tell it. We’re here for you, we’re coming out with you… Dead or alive, mind you.


He could kill two men, and he could kill as many as twelve, were his aim and his grip right, in one draw, with his twin revolvers. But he couldn’t end it right there if he did that.


He couldn’t hide from them where the money, where the girl and her child had gone were he to be prosecuted and interrogated. He knew he had to be quiet, and that he would break through pain.

And he knew he couldn’t.

He knew those men were Pinkertons and not cops, and that Pinkertons didn’t need to abide the law.

He knew that at the eyes of every man and woman on the West, he was a gambler and a rover and a bum. And that he stood no chance.


He had though, one week earlier, created a new opportunity to a woman, a new way to get by. He had robbed a Western Union Office. There are many rich and heavy packages in those offices.

He was in love, and gave it all to the woman and her child.

The two men came closer, as serenely as he was there, waiting. They asked for the money, and they asked – as if the case was closed – for a confession.

He drawed his gun.

And so did the two men.

He had fired through twelve empty chambers before the second bullet hit his brow.

 

E eu me desculpo, mil vezes, por publicar um texto em inglês. Mas eu escrevi ele assim, porque as vezes é mais simples, e porque tive uma puta preguiça de traduzir. Enfim, eu sou um babaca.

The Problem Picture

Março 26, 2008 por Arthur

Candem Town Murder

“Camden Town Murder or What Shall We Do For Rent?” de Walter Sickert.

http://en.wikipedia.org/wiki/Problem_picture

Um conceito bem simples e pelos exemplos que eu vi, também bem pouco desenvolvido antes de sair de moda. Mas me agrada muito a idéia. Sempre gostei de ver pinturas como narrativas, obviamente (quadrinhos).  E mais ainda como mistérios.

Enfim, escrevo isso pra não esquecer.

This is your birthday

Março 22, 2008 por Arthur

chico

Segundo a wikipedia, que eu já pesquisei mil vezes em relação a esse dia, a única pessoa considerável que faz aniversário comigo é o Chico Marx. Parabéns, Chico! Agora você está morto, e era o mais chato dos Marx, fora o Karl e o Zeppo.

Curiosidades:

A wikipedia brasil (em geral errada) diz que: “Please, please me” dos Beatles foi lançado nesse dia. Curioso, porque foi o 1º disco que eu comprei (em vinil, de fato).

Nascidos: Stephen Sondheim (aquele cuzão), Andrew Lloyd Webber (outro idiota), William Shatner (shat’n'her) , Private Joker (Matthew Modine – esse tudo bem porque eu me identifiquei com ele), Jorge Ben Jor (chega).

Mortos: Goethe (jovem Werther, devo ter culpa pela minha adolescência deprimente) e o William Hanna dos Hanna-Barbera (Fodam-se nessa ordem: Scooby doo, Flintstones, Jetsons e Smurfs – só salvo da fogueira o Zé Colméia e o Johnny Quest – pela voz estilo Seu Peru do urso; e pela música de abertura do JQ, porque o desenho, entre cachorro horrendo e Radji, era uma merda).

É também o dia Mundial da Água.

Urra! Hoje sei que água é importante e que estou fadado a escrever musicais da Broadway!

Ou seja, fodam-se vocês, astrólogos.

Eu odeio aniversário, a não ser que me paguem bebidas .

Dave Stevens

Março 12, 2008 por Arthur

 rocketeer

Morreu hoje. Não sei muita coisa sobre Stevens, mas sei que uma das histórias que eu mais gostei de ler quando moleque era dele. Rocketeer era uma hq de aventura, de humor rápido, bem Billy Wilder, ambientada nos anos 20-30, com a arte mais carismática e bonita que eu já tinha visto. E tinha Bettie Page como a heroína. Mesmo eu sendo novo demais pra entender sexo quando eu li pela primeira vez, eu não era novo demais pra entender uma pin-up. Então, é, era muito legal.  E ele parecia ser um sujeito bacana.

Vou reler (pela milésima vez), e acho que já.