Uma mão no cintura, outra na bundinha e desce desce desce até o chão.
Agora um pé atrás do outro, deslizando o de trás (pressão não na ponta, mas no calcanhar, como se perseguindo uma barata – em marcha a ré), para criar a ilusão de movimento fluído e orgânico. Relaxe e pense em Michael, 1985-90. Um smoking de mangas arregaçadas.
Levante as mãos para o céu, imagine uma prateleira difícil de alcançar, há muita poeira sobre ela: está na hora de limpá-la. Mexa as mãos horizontalmente, como se passando um pano levemente umedecido. Uma garrafa de água e um pirulito dão mais credibilidade a esta empreitada.
Em suas mãos estão duas maracas. A música pulsa. Jogue o quadril para frente, o tórax angulado para trás. As pernas levemente dobradas, a boca aberta num sorriso intermitente. Chacoalhe os braços no ritmo da batida, as pernas andando sem sair do lugar. Aconselha-se acompanhar essa manobra (extremamente complexa e capaz de causar danos morais e físicos) com Happy Mondays, ‘Girls and Boys’ do Blur ou qualquer britpop alegre que toque em festas dos tempos correntes.
Olhe para baixo, como encarando o abismo ou o deserto emocional do simples ser. Os braços pendendo, soltos, como duas serpentes indolentes, prontas para se soltar e procurar o suicídio em locais escuros e escusos. Acompanha cabelos compridos, se possível cobrindo a vista, e escondendo as lágrimas. Kurt estava certo.
Grande abraço.
Até a próxima lição, pessoal.
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