Duas da manhã, domingo

By Arthur

Ele deixou o hospital, o nariz quebrado, a boca inchada além da possibilidade de fala, e as costas doendo pelas 3 quedas no asfalto que ele tinha sofrido. Desde quando tinha resolvido bancar o cavaleiro andante e defender a honra de damas indefesas? Não era, claro, uma sensação ruim, mas uma situação estúpida, por assim dizer. Ele nem se manteve acordado por tempo o suficiente para ouvir ela dizer obrigado, se é que disse. A possibilidade brincou um pouco em sua cabeça, até que esta passou a doer tanto que ele esqueceu como pensar.

Saiu no frio, cobrindo a nuca com a gola do casaco, que na frente estava dura de tanto sangue seco do ferimento. Ele devia ter passado umas boas 5 horas no hospital.

Acendeu um cigarro e não conseguiu fumar. Os lábios não respondiam de tão cortados e deformados.

O ar frio fazia bem e resolveu andar até sua casa.

Passou pelo mesmo bar. Lá estava ela, abraçada no homem errado, sorrindo e fumando o cigarro mais fedido que ele já tinha experimentado na face da terra.

Vinte metros antes de vê-la já tinha mudado de lado da rua.

“Cavaleiro andante é a puta que me pariu.”

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