Joshua Parker

By Arthur

Joshua Parker queria gritar. O sol lhe marcava o rosto e doía como nunca antes.

Ele não conseguia olhar para baixo. A única coisa que via era o espectro branco do sol através do sangue, e em duas horas quando ele alcançasse o meio-dia, Joshua Parker ficaria cego.

Joshua Parker queria fechar os olhos. Mas tinham lhe arrancado as pálbebras. E com seu pescoço amarrado ao poste era incapaz de mexer a cabeça.

Seus dedos inchados arranhavam futilmente o poste, mas tudo que faziam era marcá-lo com sangue. Parker não tinha mais unhas.

Os índios o colocaram naquele poste. Joshua Parker era um homem de moral duvidosa para eles, algo que se comprovou quando este estuprou uma jovem squaw. Os índios poderiam ter feito vista grossa para a situação, mas Joshua Parker negou-se a encarar o fato como homem e matou a menina alguns dias depois, afogando-a num rio.

Joshua Parker, castrado, cego, com os pés enfiados num formigueiro, sentia milhões de pequenas patas por suas roupas, em suas feridas, se alimentando de seu sangue.

Ele queria gritar. Mas sua língua fora cortada e jogada aos cães, e os sons saiam débeis com o sangue acumulado em sua garganta.

Ele ainda podia ouvir, no entanto. As formigas, o rachar do solo pelo calor, o couro da roupa de Jonas Proudfoot – que observava sentado, fumando um cachimbo, a poucos metros – batendo com o vento. E os cães.

Na distância, eles latiam alegres e inquietos, com a voz de Joshua Parker em suas barrigas.

Deixe uma resposta