Eram já 2 e meia, e já não havia mais razão pra imaginar ou esperar que qualquer conhecido ainda fosse aparecer. Já havia passado, desde as 19h, por dois surtos de enjôo e uma meia dúzia de conversas infrutiferas com as pessoas que dividiam o balcão.
Eram 2 e meia, e chegava a conclusão que a solidão já era um ser tangível ao seu lado, depois de beber tanto.
Do outro lado do bar, outra pessoa se sentou e pediu uma bebida e olhou para o copo, e para o lado, como se reconhecesse que mesmo que para ninguém, devia-se brindar.
Levantou-se e sentou ao lado da pessoa estranha. Depois de algum tempo, conversaram.
Mas entre os dois é claro, havia um entendimento que não seria nunca dito.
Que naquele espaço entre os bancos era onde estava e pra sempre estaria – fossem a partir dali, amantes, amigos ou estranhos – a solidão de cada um.
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Sei lá, péssimo desenrolar pra uma boa premissa, eu acho. A premissa não é minha, é de uma frase que o jodorowsky disse numa palestra ontem, e pelo menos impulsionou um pequeno levante contra essa preguiça de escrever.