Me sinto estuprado

Setembro 2, 2008 by Arthur

Alguém chegou no meu blog procurando por “fotos penis adolescente 16 anos”

Ok. Primeiro: vá se foder seu pervertido.

E segundo: eu nunca falei pênis no blog exceto me referindo às torres gêmeas. Agora repare no post que causou isso:

Quando eu tinha 16 anos, dois aviões, por designios humanos, se jogaram contra duas torres fêmeas – ops, gêmeas.

e depois:

Não eram fêmeas.
Eram dois pênis eretos nojentos que mostravam porque eles eram melhores, mais ricos e mais poderosos que todo mundo.
E é claro, por isso eram um grande alvo claro e entumescido pra ser abatido.

Mas é claro, relendo o texto acima, percebi que tinha coisas muito piores para aparecerem no google. Como pênis ereto poderoso entumescido ou fêmeas de 16 anos alvos claros e nojentos pra pênis eretos.

Ei, é tipo um jogral ou  um caça palavras. Um caça palavras pervertido. Ou divertido? Quanta baixaria dá pra montar com frases tão castas como as que eu usei para descrever uma das maiores tragédias da humanidade nos últimos séculos?

Acho que várias!

Não se preocupe. Deixe isso na mão dos pervertidos e do Google.

Cada coisa que se aprende, viu.

Sobre dançar (lição 1)

Agosto 30, 2008 by Arthur

Uma mão no cintura, outra na bundinha e desce desce desce até o chão.

Agora um pé atrás do outro, deslizando o de trás (pressão não na ponta, mas no calcanhar, como se perseguindo uma barata – em marcha a ré), para criar a ilusão de movimento fluído e orgânico. Relaxe e pense em Michael, 1985-90. Um smoking de mangas arregaçadas.

Levante as mãos para o céu, imagine uma prateleira difícil de alcançar, há muita poeira sobre ela: está na hora de limpá-la. Mexa as mãos horizontalmente, como se passando um pano levemente umedecido. Uma garrafa de água e um pirulito dão mais credibilidade a esta empreitada.

Em suas mãos estão duas maracas. A música pulsa. Jogue o quadril para frente, o tórax angulado para trás. As pernas levemente dobradas, a boca aberta num sorriso intermitente. Chacoalhe os braços no ritmo da batida, as pernas andando sem sair do lugar. Aconselha-se acompanhar essa manobra (extremamente complexa e capaz de causar danos morais e físicos) com Happy Mondays, ‘Girls and Boys’ do Blur ou qualquer britpop alegre que toque em festas dos tempos correntes.

Olhe para baixo, como encarando  o abismo ou o deserto emocional do simples ser. Os braços pendendo, soltos, como duas serpentes indolentes, prontas para se soltar e procurar o suicídio em locais escuros e escusos. Acompanha cabelos compridos, se possível cobrindo a vista, e escondendo as lágrimas. Kurt estava certo.

Grande abraço.

Até a próxima lição, pessoal.

Os olhos do gato

Agosto 19, 2008 by Arthur

Fazia muito tempo que eu não lia esta história. Lembro de quando criança, procurando nos quadrinhos de um amigo do meu pai, achar esse livro.

Fiquei feliz dele ser tão impressionante quanto eu me lembrava.

Aproveite.

http://www.scribd.com/doc/352248/Moebius-Jodorowsky-Los-ojos-del-gato

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BELIEVE IN YOUR DREAMS!

Julho 29, 2008 by Arthur

Bom dia, sol! Bom dia, mundo! Bom dia, cachimbo de crack!

“Bom dia, Amy!”

Oh Meu Deus, um cachimbo falante!

“Amigos para sempre, Amy?”

Para sempre! Eu te amo, cachimbo de crack! *suuuuuuugh*

o mito do herói

Julho 28, 2008 by Arthur

obrigado tim hunter, obrigado asterix, obrigado princesa mononoke (e todos os protagonistas dos filmes do miyazaki), obrigado luke skywalker, patinho feio, john difool, obrigado kaneda, frodo baggins, obrigado kitty pride, obrigado moonshadow, obrigado tristan thorn, obrigado a todos os heróis românticos que me fizeram acreditar que seguir o caminho que você sempre teve escrito à sua frente te faria completo e para os outros, ou para você, um rei.

obrigado de verdade.

descansem em paz, porque a vida é dificil demais pra ser vivida como o herói de uma história, e você logo aprende que as coisas erradas acontecem com as pessoas certas.

e que o sucesso não depende da sua vontade de ser o protagonista.

isso soou muito mais emo do que eu imaginava.

mas acho que serve uma frase do Neil Gaiman.

as histórias de dragões não existem pra que você saiba que dragões existem, mas pra que você saiba que eles podem ser vencidos.

estamos tentando.

acho que isso é a verdadeira moral da coisa toda.

Duas da manhã, domingo

Julho 7, 2008 by Arthur

Ele deixou o hospital, o nariz quebrado, a boca inchada além da possibilidade de fala, e as costas doendo pelas 3 quedas no asfalto que ele tinha sofrido. Desde quando tinha resolvido bancar o cavaleiro andante e defender a honra de damas indefesas? Não era, claro, uma sensação ruim, mas uma situação estúpida, por assim dizer. Ele nem se manteve acordado por tempo o suficiente para ouvir ela dizer obrigado, se é que disse. A possibilidade brincou um pouco em sua cabeça, até que esta passou a doer tanto que ele esqueceu como pensar.

Saiu no frio, cobrindo a nuca com a gola do casaco, que na frente estava dura de tanto sangue seco do ferimento. Ele devia ter passado umas boas 5 horas no hospital.

Acendeu um cigarro e não conseguiu fumar. Os lábios não respondiam de tão cortados e deformados.

O ar frio fazia bem e resolveu andar até sua casa.

Passou pelo mesmo bar. Lá estava ela, abraçada no homem errado, sorrindo e fumando o cigarro mais fedido que ele já tinha experimentado na face da terra.

Vinte metros antes de vê-la já tinha mudado de lado da rua.

“Cavaleiro andante é a puta que me pariu.”

Warren Ellis: escrever

Julho 2, 2008 by Arthur

“Writer’s block? I’ve heard of this? This is when a writer cannot write? Then that person isn’t a writer anymore. The job is getting up in the morning and fucking writing. If you get up in the morning and you cannot write, you’re something else, aren’t you?”

Touché, já que não escrevo aqui faz um tempo considerável, essa frase pelo menos me dá um chute no cérebro pra ver se ele ainda existe.

Boa entrevista/relato em:

http://www.newsarama.com/comics/080627-WWCEllis.html

E um termo inventado pelo próprio que eu descobri existir literalmente num filme antigo do godzilla:

Tom Waits (não um texto sobre Tom Waits, mais uma nota mesmo)

Maio 24, 2008 by Arthur

O CD da Scarlett Johansson cantando Tom Waits saiu, e salvo alguns arranjos bons, a voz dela é uma merda e ela ouviu muito Jesus and Mary Chain. E Enya.

Uma entrevista do Tom Waits com o Tom Waits está disponível para sua apreciação na Interweb. É do caralho e elucidante, não em relação a ele, mas aos grandes segredos do universo.

E dentro do assunto covers ruins, Downtown Train é uma das minhas músicas preferidas, com um péssimo cover do Rod Stewart, mais famoso que a versão original. Escolha com sabedoria.

O Post Mais Nerd Até Agora

Maio 19, 2008 by Arthur

Então, oi.

Eu fiquei quase um mês sem escrever porque bem, eu tenho preguiça e outras coisas foram mais relevantes nesse meio tempo.

Principalmente, como o Raul percebeu, a porra do meu video-game novo.

O PS3 é um belo exemplar do design limpo e elegante que domina a presente geração em termos de “video-games”. Uma máquina aerodinâmica e esguia, que por baixo de seu capô esconde não menos do que uma das maiores potências do mundo dos hardwares, com um processador Cell e blá-bá-blá.

Bela merda. O problema é quando inventam um jogo legal pra isso. Bem, inventaram GTA IV (o famoso “murder simulator” que a Fox News tanto fala nos EUA) e a razão pra eu comprar um videogame novo. E por isso, eu estive fora de mim durante meu tempo livre recente.

Estive vivendo a pseudo-saga de um imigrante dos balcãs que não sabe fazer nada além de matar e – fugindo disso – vai para Liberty City, e enfim, tem que fazer a única coisa que sabe de fato fazer para viver. Como eu disse, matar.

E roubar. E derrubar helicópteros com lança mísseis. E dirigir bem rápido com carros esporte. Bêbado é mais legal, aliás.

Depois de 40 horas (umas duas semanas) acabei a coisa toda. E devo dizer que, não só um dos jogos mais bonitos já feitos (ainda vou gastar mais umas 15 explorando e simplesmente admirando os cenários e a interação que você tem com eles), é também um dos melhores roteiros já escritos para os games. Claro, todos os jogos da Lucasarts, que praticamente inventaram história em games ainda serão um empecilho, ou melhor um parâmetro, para se escrever bons diálogos e história num jogo.

Mas GTA IV consegue ainda assim ser um novo marco. Os personagens são cativantes pra caralho e realmente verdadeiros (com a licença de que vivem num universo caricato, como sempre foi o dos jogos do GTA).

Eu joguei todos, é o melhor. E eu exagero pra caralho – o jogo tem muita coisa irritante – mas finalmente dá pra olhar pra um video-game mainstream e dizer: puta-merda, isso é uma obra de arte.

Em termos de humor, de qualidade de diálogos e crítica social, de ambientação, personagens, clima, dá pra ficar com medo de fazer cinema. Quer dizer, essa merda vale mais dinheiro, dura mais tempo e ainda dá a sensação de vitória pro espectador/jogador a cada missão realizada. E é bem-feita demais.

Fora que eu não simpatizo com nenhum herói de ação recente. Já Niko Belllic dá um cacete em qualquer Will Smith, Bruce Willis ou Matt Damon.

Obviamente.  Eu não estou assistindo a um filme. Como Niko Bellic, eu faço a porra do filme como eu bem entender.

Enfim, eu avisei que ia ser nerd.

E foi mesmo, caralho, como foi.

Ok, vamos esclarecer uma coisa.

Abril 23, 2008 by Arthur

Existem dois tipos de prazeres que realmente movem o ser humano.

O prazer sensorial e o cerebral (eu odeio essa palavra).

O primeiro deles vai pela sua boca, nariz, seus olhos, seus dedos, ouvidos ou seu pau/vagina.

O outro vai da felicidade de saber que você criou algo legal e novo e que funciona, e esse que realmente mantém você funcionando enquanto você não caga, come, ouve, sente cheiros, encosta, trepa ou assiste ao que os outros fizeram de legal.

Acabei de ter um desse segundo, após 4 dias de trabalho duro e de ver o negócio quase terminado e bem feito. E acreditem, estou todo molhado.

Molhado de vitória!